Arquivo da tag: Ricardo Amorim

Revista IstoÉ

Há anos, a produção da indústria brasileira está estagnada em níveis atingidos no final de 2008. Ao invés de enfrentar as causas estruturais da baixa competitividade da nossa indústria – infraestrutura precária, carga tributária excessivamente elevada, ambiente de negócios instável e produtividade da mão de obra muito baixa – o governo preferiu concentrar seus esforços em desvalorizar o real e conceder algumas isenções tributárias temporárias e concentradas em poucos subsetores. Em paralelo, agiu para reduzir as margens de lucro e a rentabilidade dos negócios em vários setores, como elétrico, financeiro, mineração e petrolífero. Empresários, preocupados, reduziram investimentos.

A forte concorrência chinesa tem sido uma realidade para a indústria brasileira e para toda a indústria global. Já passou da hora de nos prepararmos para outra competição, agora com a indústria americana.

Como alertei ainda em 2010, a crise dos países desenvolvidos é na essência causada por excesso de endividamento. Ela só pode ser resolvida com um forte aumento de poupança e diminuição do consumo por lá. Acontece que menos consumo levará a menos crescimento, mais desemprego e salários menores.

Este processo é exatamente o reverso da medalha do que está acontecendo no Brasil e nos países emergentes. Aqui, o crédito sobe, o desemprego cai e os salários aumentam, sustentando a expansão do consumo e ganhos socioeconômicos.

O único instrumento de estímulo macroeconômico que restou aos países ricos são doses cavalares de impressão de dinheiro, com a consequente desvalorização de suas moedas. Com salários menores e moedas desvalorizadas, a perda de participação na produção industrial mundial de todos os países desenvolvidos na última década será revertida em algum momento nos próximos anos.

Nos EUA, este momento já está chegando. Não bastassem o dólar em desvalorização há uma década e os salários em contração em termos reais há seis anos, ocorre uma revolução na produção de energia, que deve levar os EUA de maior importador mundial de petróleo a exportador ainda nesta década. Tudo isto está reduzindo substancialmente o custo de se produzir nos EUA e aumentando a competitividade da indústria americana.

Por outro lado, tão cedo o consumo dos americanos não retomará a pujança anterior à crise de 2008. Isto significa que os produtores americanos direcionarão partes crescentes do que é produzido lá para outros mercados, aumentando sua participação nas vendas para o resto do mundo, incluindo o Brasil. Os EUA voltarão a ofertar produtos de menor valor agregado e retomarão mercados há muito perdidos. Prepare-se para o retorno do Made in USA.

Pode demorar mais para sentirmos seus efeitos, mas processos similares estão acontecendo na Europa e no Japão. Em paralelo, o crescimento chinês migra gradualmente para mais consumo interno e serviços, reduzindo o ritmo de crescimento da demanda por nossos metais e minerais.

Com mais competição dos desenvolvidos e menor fome chinesa por nossas matérias primas, o Brasil precisa urgentemente fortalecer seu potencial produtivo, estimulando investimentos, melhorando a infraestrutura, reduzindo os impostos permanentemente e qualificando sua mão de obra. O modelo de crescimento baseado na expansão do consumo, adotado pelo Brasil nos últimos 10 anos, se esgotou. O fraco crescimento e a aceleração da inflação deixam isso claro. Não dá mais para postergar soluções. A hora de cuidarmos do Made in Brazil está passando.

Ricardo Amorim

Revista IstoÉ

 

Segundo estimativas da empresa de pesquisa de mercado IHS iSuppli, os componentes de cada iPhone 5  de 16GB custam R$388,00 e sua montagem R$15,00, totalizando R$403,00. Ao conhecer esta informação, a maioria dos brasileiros tem dois tipos de reação. Uns ficam indignados com os lucros abusivos da empresa. Outros a defendem, apontando custos não computados, como distribuição e impostos, por exemplo. Portanto, os lucros seriam “normais”.

Efetivamente, no Brasil os impostos respondem por uma parcela significativa da diferença. O mesmo aparelho que é vendido por R$1.265,00 nos EUA, custa R$2.600,00 aqui. A maior diferença vem de impostos. No Brasil, ao comprarmos um iPhone, pagamos dois, um à Apple, outro ao governo.

 

Além disso, em nossa sociedade que demarca diferenças socioeconômicas pelos padrões de consumo, os consumidores dispõem-se a pagar preços que, em outros países, fariam o produto encalhar. Isto permite que as empresas tenham margens de lucro mais elevadas aqui.

 

Estas distorções não afetam apenas o preço do iPhone, mas de tudo que compramos aqui. Pelo preço de uma Ferrari 458 Spider no Brasil, compra-se o mesmo carro, um apartamento e um helicóptero em Nova York.

 

Devido ao péssimo uso dos recursos arrecadados, nossos impostos elevados causam-me particularindignação, mas outra distorção brasileira preocupa-me ainda mais. Associamos lucros a bandalheira e, portanto, margens de lucro altas precisam ser limitadas ou, no mínimo, justificadas.

 

Nos EUA, o iPhone  que custa R$403,00 para ser produzido é vendido por R$1.265,00. Mesmo descontando impostos – ainda que menores do que os nossos – e outros custos, sobra à Apple uma margem de lucro gorda, explicando porque ela se tornou a mais valiosa companhia do planeta. Lá, lucratividade elevada é considerada mérito pelo trabalho bem feito, neste caso particularmente em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e marketing. Por aqui, o lucro é o capeta, razão de desconfiança e vergonha.

 

Se não mudarmos nossa mentalidade, o Brasil nunca será um país rico. Ou acabamos com as distorções de nosso modelo econômico ou seremos o país do futuro do pretérito. Ao contrário do que pensam muitos, a valorização do lucro não precisa ser antagônica à melhora do padrão de vida da população como um todo. Aliás, pode e deve ser exatamente o contrário, como provam os países nórdicos.

 

No Brasil, isto teria de começar por uma intromissão muito menor do Estado na economia. É napromiscuidade do público com o privado que surge a maioria das distorções que mancham a percepção da opinião pública brasileira quanto ao lucro. Em uma economia onde o Estado é onipresente, com frequência é mais lucrativo ser amigo do rei do que acertar as decisões empresariais ou inovar. A partir daí, lucro vira pecado.

 

Infelizmente, o contrário tem acontecido. Nos últimos anos, o montante de recursos que o Estado desvia da iniciativa privada através de impostos tem aumentado, assim como as intervenções na gestão de empresas públicas e privadas. Salta aos olhos o papel crescente do BNDES. Capitalizações com recursos públicos superiores a R$300 bilhões desde 2008 permitiram que ele se tornasse um acionista importante em várias grandes empresas brasileiras. Além do risco aos cofres públicos, este processo reforçou a percepção de que temos um capitalismo de compadres. Muda Brasil, enquanto é tempo.

Ricardo Amorim
Apresentador do Manhattan Conection da Globonews, colunista da revista istoÉ, presidente da RICAM Consultoria. 

Revista  IstoÉ

Há dois anos publiquei aqui uma coluna intitulada Diagnóstico Errado. Afirmava que é equivocada a ideia de que as dificuldades da indústria brasileira vem de um real excessivamente valorizado. Baseado nesse diagnóstico errôneo, o governo promoveu uma forte desvalorização da taxa de câmbio no ano passado. Os resultados? A produção industrial caiu 2,7% em 2012, e com o encarecimento dos produtos importados, a inflação de janeiro foi a mais alta desde 2005.

Nos últimos nove anos, a produção da indústria no Brasil cresceu em sete e caiu em dois, 2009 e 2012, os únicos anos em que a taxa de câmbio média se desvalorizou. Se o problema é a cotação do real, por que a indústria sofre exatamente quando o problema diminui? Porque a valorização do câmbio – ainda que efetivamente aumente os desafios para a indústria – não é a causa original de suas dificuldades, mas sim consequência dos mesmos processos globais que tem causado tais dificuldades.

A primeira, causada pela migração da industria global para a China em função de custos de mão de obra menores, começou após a entrada dos chineses na Organização Mundial do Comércio no final de 2001. Desde então, a produção da indústria chinesa triplicou, a brasileira cresceu menos de 30%, ainda assim um ótimo resultado quando comparado à indústria dos países ricos, que encolheu.

A segunda é a própria  crise econômica dos países desenvolvidos desde 2008. Uma consequência inevitável da necessária reversão do excesso de endividamento que provocou tal crise foi o consumo crescendo menos nos países ricos e mais nos emergentes. Com a expansão do crédito e da renda no Brasil, as vendas do varejo cresceram mais do que a produção da nossa indústria em todos os anos desde 2004. Da mesma forma, a queda da renda e do crédito nos países desenvolvidos desacelerou as vendas internas. Isto gerou capacidade ociosa e forçou a indústria deles a redirecionar uma parte crescente da produção para os países onde o consumo está crescendo, os emergentes, incluindo o Brasil.

Estes fatores adversos não vão mudar tão cedo e há pouco que possamos fazer para neutralizá-los direamente, sem causar efeitos colaterais mais nocivos que eles próprios, como mostra a mal sucedida tentativa de ajudar a indústria desvalorizando o real, que aliás parece estar sendo abandonada.

Não significa que não possamos ou não devamos fortalecer nossa indústria. Muito pelo contrário. Além das dificuldades causadas pela conjuntura externa, todos os setores da economia brasileira enfrentam obstáculos estruturais.  A solução para infraestrutura ruim, impostos excessivos, mão de obra mal preparada, burocracia e tantos outros problemas está em nossas mãos, particularmente nas mãos do governo.

Oferecendo isenções tributárias temporárias a alguns subsetores industriais e medidas protecionistas a outros, o governo divide e cala nossos industriais, mas não elimina gargalos estruturais. Em alguns casos, até os agrava. Encarecer a importação de componentes, por exemplo, além de aumentar o preço para os consumidores, piora a situação dos subsetores que os utilizam.

Enquanto o setor privado brasileiro não se unir e exigir do governo um corte brutal de gastos e desperdicios, que permita a redução de impostos e libere recursos para mais investimentos em infraestrutura e educação, as dificuldades da indústria não vão passar. Faço eco a um dos mais famosos gritos de protesto de Marx e Engels: industriais do Brasil, uni-vos!

 

 Ricardo Amorim
Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.

 

 

Os cinco melhores livros sobre economia e investimentos lançados desde o ano passado nos Estados Unidos e na Europa:

 - This Time Is Different: Eight Centuries of Financial Folly (Carmen Reinhart and Kenneth Rogoff) – Essencial para entender a crise que os países ricos estão passando e por que ela ainda está longe de ter terminado.

 - The Age of Deleveraging, Updated Edition: Investment Strategies for a Decade of Slow Growth and Deflation (Gary Shilling) – Apesar de voltado para a realidade americana, mostra como à medida que a realidade econômica muda, as estratégias de investimento tem de se adaptar à nova realidade, exatamente a mesma coisa que acontece no Brasil com a forte queda da taxa de juros dos últimos anos.

- Endgame: The End of the Debt Supercycle and How It Changes Everything (John Mauldin) – Mais um livro que explica a megatransformação pela qual a economia mundial está passando e como ela exige novas estratégias por parte de empresas e investidores.

 - Unexpected Returns: Understanding Secular Stock Market Cycles (Ed Easterling) – Excelente livro para qualquer um que quer entender de investimentos. Ele mostra muito bem como as flutuações do mercado acionário a curto prazo são muito difíceis de serem previstas, mas a longo prazo são bastante previsíveis, gerando ótimas oportunidades para quem as compreende.

 - Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity and Poverty by Daron Acemoglu and James A. Robinson – Mostra a diferença de estratégia de países que ficam ricos e os que não ficam e como ela se deve principalmente a líderes corruptos, sem compreensão da História e que não investem em educação – formação de capital intelectual – e criação de ambientes propícios a negócios.

Ricardo AmorimApresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com.

Fonte: http://ricamconsultoria.com.br

 Revista IstoÉ

Os cinco melhores livros sobre economia e investimentos lançados desde o ano passado nos Estados Unidos e na Europa:

 - This Time Is Different: Eight Centuries of Financial Folly (Carmen Reinhart and Kenneth Rogoff) – Essencial para entender a crise que os países ricos estão passando e por que ela ainda está longe de ter terminado.

 - The Age of Deleveraging, Updated Edition: Investment Strategies for a Decade of Slow Growth and Deflation (Gary Shilling) – Apesar de voltado para a realidade americana, mostra como à medida que a realidade econômica muda, as estratégias de investimento tem de se adaptar à nova realidade, exatamente a mesma coisa que acontece no Brasil com a forte queda da taxa de juros dos últimos anos.

- Endgame: The End of the Debt Supercycle and How It Changes Everything (John Mauldin) – Mais um livro que explica a megatransformação pela qual a economia mundial está passando e como ela exige novas estratégias por parte de empresas e investidores.

 - Unexpected Returns: Understanding Secular Stock Market Cycles (Ed Easterling) – Excelente livro para qualquer um que quer entender de investimentos. Ele mostra muito bem como as flutuações do mercado acionário a curto prazo são muito difíceis de serem previstas, mas a longo prazo são bastante previsíveis, gerando ótimas oportunidades para quem as compreende.

 - Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity and Poverty by Daron Acemoglu and James A. Robinson – Mostra a diferença de estratégia de países que ficam ricos e os que não ficam e como ela se deve principalmente a líderes corruptos, sem compreensão da História e que não investem em educação – formação de capital intelectual – e criação de ambientes propícios a negócios.

Ricardo AmorimApresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com.

Fonte: http://ricamconsultoria.com.br

Por Walmar Andrade para o MUDE.NU

Iniciamos hoje, com o perfil de Ricardo Amorim, uma nova série no Mude.nu: “Perfis que vale a pena seguir”. Destacaremos aqui algumas pessoas que, além de ser destaque em sua área de atuação, também compartilhem de forma generosa seus conhecimentos nas redes sociais (Twitter, Facebook, Google+ ou qualquer outra) ou em blogs pessoais.

Para a estreia da série, o escolhido foi o economista Ricardo Amorim, que também é Presidente da Ricam Consultoria e apresentador do programa Manhattan Connection, da Globonews, junto a nomes como Lucas Mendes, Caio Blinder, Pedro Andrade e o polêmico Diogo Mainard.

Ricardo Amorim tem se destacado na internet utilizando o Twitter @Ricamconsult para tecer comentários sobre economia e política e para indicar valiosos links com recursos para quem quer entender melhor o mundo em que vive. Um dos destaques do perfil de Ricardo Amorim é quando ele posta cursos on-line gratuito de renomeadas universidades estrangeiras.

Perfil de Ricardo Amorim
Siga Ricardo Amorim no Twitter @Ricamconsult

Não é por acaso que o economista já vai com mais de 28 mil seguidores no Twitter! Isso sem ficar fazendo promoção ou postando fotos de biquini (graças a Deus). Vinte e oito mil pessoas seguindo um cara que fala basicamente de economia e política é de espantar.

Portanto, se você está neste desafio de Conquistar independência financeira, seguir o Ricardo Amorim no Twitter é fundamental.

Também é possível ler as opiniões de Ricardo Amorim em alguns veículos de comunicação, bem como assistir ao Manhattan Connection todos os domingos às 23h na Globo News. Se você é como eu, que dorme cedo, pode ir ao site do programa e conferir a íntegra de todos os últimos programas.

O YouTube também está repleto de palestras de Ricardo Amorim, embora alguns pontos abordados vão perdendo importância com o passar do tempo e as mudanças no cenário político e econômico.

Ricardo Amorim, claro, faz uma divulgação de seu próprio trabalho no Twitter, então seguindo @Ricamconsult você terá acesso aos links para palestras, colunas, entrevistas etc.

E você? Qual perfil sugere para o próximo post da série “Perfis que vale a pena seguir”?

9 de novembro de 2012

Imagine – Por Ricardo Amorim

Outro dia, em Nova York, passando em frente ao edifício Dakota, onde viveu e foi assassinado John Lennon, eu me peguei pensando como seria se ele fosse um compositor brasileiro.
No meu devaneio, imaginei-o cantando algo assim:

Imagine que não há mensalão

É fácil se você tentar

Sessenta e cinco impostos a menos

Para você pagar

Imagine seu salário

Pagando as contas e sobrando

Imagine que não há corrupção

Não é difícil

Nada de drogas e crimes

Educação de primeira

Imagine seu salário

Sobrando no final do mês

Você pode dizer

Que sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que um dia

Você se juntará a nós

E o Brasil será melhor

Imagine bons aeroportos

Será que você consegue?

Nada de fome ou miséria

E infraestrutura de primeira

Imagine seu salário

Sobrando no final do mês

Você pode dizer

Que sou um sonhador
Mas eu não sou o único

Espero que um dia

Você se juntará a nós

E o Brasil será melhor

Pena que John Lennon não foi um compositor brasileiro. Talvez, não tivesse sido assassinado e hoje estaria tomando cuidado com as balas perdidas.
Ricardo Amorim

Economista, consultor, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews, colunista darevista IstoÉ e presidente da Ricam Consultoria. Realiza palestras em todo mundo sobre perspectivas econômicas e oportunidades em diversos setores, é o único brasileiro incluído na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do site inglês Speakers Corner e é o economista mais influente do Brasil e um dos dez mais influentes do mundo de acordo com o site americano Klout.com

 

Fonte: ricamconsultoria.com.br

O que tem a haver princesa e dragão com política, economia e desenvolvimento?

Ricadro Amorim sabe muito bem e não foi a toa que escreveu o artigo “Libertando o dragão da inflação” para a revista Istoé.

No artigo o economista e apresentador chama atenção para três pontos essenciais que garantem a segurança do desenvolvimento:

  • Regime de metas de inflação
  • Câmbio flutuante
  • Política de superávit primário do governo

 Segue um trecho inicial do artigo:

“Em todo conto de fadas que se preze, para conquistar a formosa princesa, o príncipe precisa antes derrotar um temível dragão. Com a economia brasileira não foi diferente. Por quase duas décadas, nossa princesa do desenvolvimento foi refém do dragão da inflação….”

Para ler o artigo na íntegra acesse AQUI

A economia brasileira registrou um crescimento de 0,2% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior. O desempenho, considerado “decepcionante” pela força sindical e “fraco”, por entidades ligadas à indústria e ao comércio, foi revelado na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dá mostras de que a economia dificilmente vai reagir este ano. Para o economista e consultor Ricardo Amorim, o crescimento deverá ficar na casa dos 2%, um ritmo que exige cautela do consumidor, que deve resistir às tentações de consumo, observa.

Em passagem por Natal esta semana, onde ministrou palestra sobre os rumos da economia na 16ª Conferência Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais, da Unale, Amorim reforçou, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, que embora o cenário conspire em favor da gastança, com juros em queda e redução de impostos, é preciso analisar que o mercado de trabalho não vai bem e que o momento da economia é de desaceleração. “O momento é de cautela e não de ser agressivo. É preciso evitar o endividamento”, diz. Ele também criticou ações “protecionistas” do governo, que tem apostado em medidas que encarecem os produtos importados, na tentativa de dar aos nacionais condições de competir em pé de igualdade. Para Amorim, a estratégia não ataca os problemas certos. E o consumidor é quem está arcando com as consequências disso. Confira os principais trechos da entrevista:

No final do ano passado, durante o seminário Motores do Desenvolvimento, da TRIBUNA DO NORTE, você estimou que o país deveria crescer no máximo 1% este ano. Essa projeção está mantida?
O mais provável é que o crescimento seja muito baixo. Ligeiramente inferior ou superior a 1%. Mas certamente não vai ser os 4,5% que o governo ainda fala que vai crescer. Não vai chegar nem perto disso. O que diria é que na melhor das hipóteses, se a crise na Europa não piorar, o que é muito improvável, o crescimento deve ficar na faixa de 2 e alguma coisa. O grande ponto é que nós estamos passando por um momento em que o mundo inteiro está desacelerando e o Brasil tende a desacelerar também. Estamos vendo uma desaceleração global, com impactos importantes também no Brasil.

O governo tem anunciado estímulos para alguns setores específicos. Nem isso vai ajudar o Brasil a crescer mais?
Isso vai reduzir o impacto negativo no Brasil, mas não vai impedir que seja negativamente impactado. Até porque essas medidas tem um problema sério: estão lidando apenas com os setores mais negativamente impactados. O que isso significa para mim é que o governo está reagindo nos setores que já tem mais problemas e que acabam tendo menos capacidade de reação. O que a gente está fazendo é pegar quem já está muito doente para tratar. Se a gente tivesse prevenido isso, a história seria um pouco diferente. O que seria ter prevenido antes: Há dois anos, quando a situação estava melhor, em 2010, o Brasil teve a maior taxa de crescimento em 1/4 de século. Cresceu quase 8%. Naquele momento a gente tinha que ter cortado gasto público pesadamente, o que abriria espaço agora para uma redução generalizada de impostos e não para alguns setores específicos.

O governo não preveniu. E agora age pontualmente. Haveria alguma estratégia para estimular toda a economia e não apenas alguns setores agora que o problema está posto?
Agora o que eu diria é que a estratégia ou a falta dela é reagir. Como a gente não agiu, pela falta do plano A, o plano B é, a medida que os problemas vão surgindo, atacá-los pontualmente. A essas alturas é meio inevitável. A estratégia que evitaria isso passaria pelo seguinte: reduzir o custo do setor público. Com a redução de gasto público teria sobrado dinheiro para redução de impostos, isso tornaria o produto brasileiro mais competitivo, ajudaria toda a economia, teria sobrado espaço para mais investimentos em infraestrutura. A infraestrutura melhor reduz mais uma vez o custo do produto. Uma taxa de juros mais baixa teria atraído menos dólares para o Brasil nos últimos anos. O dólar que chegou a R$ 1,50 não teria caído tanto. Tem uma série de coisas que teriam sido mais positivas. Mas a gente está no campo do se, porque isso não aconteceu.

Você diz que aumentar o imposto sobre importados cria um país mais caro e não mais rico. Mas o governo, quando aumentou o IPI, disse que fortaleceria a indústria nacional. Qual o lado positivo e o negativo dessas ações chamadas por muitos de “protecionistas”?
Ações protecionistas fazem o seguinte: favorecem as empresas e penalizam o consumidor. O produto chegava a R$ 10 e forçava o empresário daqui a vender por R$ 1a. Na hora em que você coloca um imposto maior no importado e ele chega aqui a R$ 12, o empresário brasileiro pode aumentar o preço dele para R$ 12 . A rentabilidade do brasileiro aumenta. Isso ajuda a indústria nacional mas tem dois impactos negativos: o consumidor vai pagar mais caro e tinha gente que podia comprar a R$ 10 e não pode comprar R$ 12. Então você tem uma queda na demanda final porque o preço ficou mais alto. Quando o preço sobe de R$ 10 para R$ 12 a inflação aumenta. Quando a inflação aumenta o Banco Central tem que responder com uma taxa de juros mais elevada e uma taxa de juros mais elevada significa menos crédito e menos venda também. Então, primeiro, quem paga a conta dessa medida protecionista é o consumidor. E segundo, mesmo o empresário que inicialmente é beneficiado a médio e longo prazo acaba tendo impacto negativo. É por isso que a medida não tem que ser aumento do imposto do importado tem que ser diminuição do imposto do produto nacional.

Foi um tipo no pé que o governo deu?
Mais do que um tiro no pé foi uma mostra de desespero. Foi uma mostra de que não agiu antes para evitar que os problemas acontecessem. E aí ele teve que tomar uma medida de curto prazo que, como eu dizia, até tem um impacto favorável de curto prazo para a indústria, mas de médio e longo prazo o impacto não é favorável. Pelo contrário.

E a redução do IPI para veículos nacionais, anunciada recentemente. Como você avalia?
A redução para veículos nacionais eu veria com bons olhos não fossem dois fatores. O primeiro e mais sério: a redução foi não só temporária, mas de muito curto prazo. Eles reduziram o IPI por mais três meses. Nenhum empresário toma uma decisão de investimento baseado em três meses. Ninguém vai montar uma fábrica nova, ou vai contratar gente por uma decisão de três meses. Isso não só, no mínimo, teria que ter um prazo mais longo, mas idealmente teria que ser uma medida permanente. Segundo, junto com a redução do IPI, teve um encarecimento do importado. Estou completamente em desacordo com essa parte porque quem vai pagar a conta disso é quem compra um carro. Colocar mais imposto não é solução.

Agora o governo reduziu o IPI, há uma onda de redução das taxas de juros. O cenário todo diz ao consumidor que compre. Quais são os riscos disso?
Eu diria ao consumidor, no curto prazo: cautela. Não se endivide. Porque a perspectiva para os próximos meses ou talvez um, dois trimestres, é mais negativa. O que isso significa na prática: a gente já vem assistindo a uma desaceleração da economia brasileira, a uma queda no ritmo de geração de emprego e é provável que a situação nos próximos meses seja menos favorável. Exatamente porque a situação nos próximos anos, ao contrário, deve ser muito favorável, não tem por que você passar por uma situação que pode te colocar, por exemplo, assumindo uma dívida muito grande, que você tenha dificuldade de pagar. Com as taxas brasileiras essas dívidas crescem exponencialmente. O momento é de cautela e não de ser mais agressivo.

O governo diz que não enxerga risco de inadimplência e endividamento, porque com os juros mais baixos a parcela fica menor. É grande o risco de inadimplência ou não?
Acho que a gente precisa separar duas coisas. A inadimplência no Brasil já vem crescendo e vai continuar a crescer por conta dessa desaceleração econômica. Isso é uma coisa. Isso inclusive explica porque o crédito aqui (no Brasil) vai crescer menos. Os bancos vendo a inadimplência crescendo reduzem a oferta de crédito. Agora, isso não significa que a gente vai ter a explosão de uma bolha de crédito no Brasil. Aí eu concordo com o ponto do governo. Por que não significa: Primeiro, porque mesmo com o crescimento de inadimplência no Brasil, esse crescimento é significativo, mas muito menor do que está acontecendo em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a inadimplência de imóveis aumentou de 2007 para cá em 400%. no Brasil aumentou 50%, 60%. Segundo: o total de crédito no Brasil ainda é muito pequeno. Então mesmo que haja um aumento de inadimplência, isso não vai causar perdas bancárias brutais que possam gerar um problema financeiro. Acho que o momento é da cautela e a gente vai ter céu de brigadeiro mais para frente.

Como você enxerga a onda de redução de juros e o embate do governo com os bancos privados?
A redução da taxa de juros eu vejo como positiva. Ela (A Selic, que foi reduzida de 9% ao ano para 8,5% ao ano na semana passada) chegou ao nível mais baixo da história do país. Especificamente a questão dos bancos, eu vejo com preocupação. Primeiro: eu sou favorável que haja a maior competição possível em qualquer setor. Porque isso ajuda a reduzir os custos para o consumidor. Isso vale para os bancos. O preço do dinheiro é exatamente a taxa de juros. Quanto mais competição você tem, melhor. Agora, quando o governo tenta na marra usar os bancos estatais para reduzirem isso mais do que a inadimplência elevada permitiria, você está criando um risco fiscal. Essa é a primeira preocupação que eu tenho. A segunda é: o Brasil tem a taxa de imposto sobre o setor financeiro mais alta do mundo, tem a taxa básica mais alta do mundo, tem a taxa de depósitos compulsórios, que é a parte do dinheiro que os bancos não podem emprestar, porque tem que depositar no Banco Central, mais elevada do mundo. Então não tem jeito: a taxa ao consumidor vai ser a mais elevada do mundo, façam os bancos públicos o que fizerem. O que a gente precisa criar são as condições para que as taxas baixem. Sou favorável que elas caiam. Mas não é na marra que isso vaia acontecer. Isso eu acho que gera mais risco do que solução.

Falando ainda em juros, com a Selic em queda, a poupança mudou, vai render menos. Muitos analistas dizem que o poupador foi penalizado. Como você enxerga isso?
Ao contrário. Ainda bem que mudaram a regra da poupança porque se não a taxa de juros nossa não cairia. Taxas de juros mais baixas, entre outras coisas, vão ajudar num processo que já vem acontecendo no Brasil, de desconcentração de renda.

O que trava o crescimento do Brasil hoje?
Há vários fatores. Primeiro é carga tributária mais elevada que nos outros, com serviços piores. A gente paga imposto de país risco e recebe serviço público de país pobre. Esse é o primeiro fator que limita o nosso crescimento. Segundo é a má qualidade da educação. Se você tem mão de obra menos qualificada, você vai crescer menos, vai ser menos rico. Terceiro: toda a burocracia do país. Quarto: a questão dos juros. Precisamos criar condições para os juros caírem. Porque se não você tem menos investimentos, menos consumo e menos crescimento.

Quando virá a recuperação do país e o que vai puxar essa recuperação?
Eu acho que da mesma forma que em setembro de 2008 veio um choque externo muito grande, com a crise financeira global, e o PIB brasileiro caiu bastante, e já começou a entrar numa rota de recuperação no segundo semestre de 2009. Em 2010 foi o maior crescimento que o país já teve, puxado por setores que dependem de crédito, porque o governo dá estímulos. Esses mesmos setores que sentem um pouco mais vão puxar o crescimento depois. O setor imobiliário, o setor automotivo e os setores de consumo doméstico em geral. Varejo e serviços devem ter um desempenho mais forte. A indústria e o setor de agronegócio inicialmente sentem mais com a crise. Quando a crise externa passar a gente deve ver uma recuperação forte do agronegócio e a indústria deve ter uma recuperação mais contida, mais lenta. Da mesma forma que em 2009, 2010.

2013 é o ano da recuperação…
Não tenho dúvida. E 2014 também terá crescimento forte porque haverá a Copa do Mundo para estimular a atividade econômica.

Fonte: ricamconsultoria.com.br

O mundo de hoje está em constante mudança e requer organizações que se ajustem às diversidades. O Seminário Mercer de RH 2012 vai analisar o atual cenário econômico brasileiro e mundial com o economista Ricardo Amorim, apresentar os principais desafios na gestão do capital humano e propor soluções baseadas nas melhores práticas do mercado.

Com esse panorama, será divulgado também o resultado da TRS, a tão aguardada pesquisa de remuneração da Mercer.E serão debatidos ainda temas recorrentes nas mesas de CEOs e profissionais de RH, tais como: remuneração competitiva, os resultados das transformações no RH nas empresas, escassez de talentos, diferenças entre gerações, reconhecimento, recompensa e retenção.

Esses são alguns motivos para você não perder o Seminário Mercer de RH 2012, um evento indispensável para a troca e o compartilhamento de ideias e experiências.

Conheça a programação completa e inscreva-se no site: www.mercer.com.br/seminario