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O título acima tem um lado sarcástico. ‘Estratégia’ é um dos conceitos mais falados e menos aplicados no mundo dos negócios. E nisso a expressão ‘gestão do conhecimento’ não fica muito atrás. Acontece que são dois elementos importantes demais para serem tratados apenas na base das frases de efeito, e iniciativas nessas áreas exigem uma série de esforços para realmente serem dignas do nome.

A começar pela estratégia: todos reconhecem a importância de um direcionamento estratégico claro para o negócio e do “alinhamento estratégico” de toda a organização. Expressões como “este projeto é estratégico” ou “este cliente é estratégico”, muito ouvidas nos almoços e nas reuniões, refletem um uso por vezes superficial, por outras totalmente equivocado do termo.

Em menor proporção, porém crescentemente, o mesmo acontece com a gestão do conhecimento. Diversas organizações enxergam não só que práticas efetivas de gestão do conhecimento são essenciais para seu desempenho presente e futuro, mas também que isso exige uma estratégia específica.

Porém, apesar dessa percepção, o que se encontra na prática dessas organizações são:

  • Enunciados estratégicos vagos e pouco mobilizadores na forma de “visão” e “missão”;
  • Definições de rumos e escolhas estratégicas mal comunicadas e vagamente compreendidas e adotadas pelas equipes;
  • Atuação das diversas áreas pautadas por agendas pouco ou nada conectadas à estratégia;
  • [Deseja complementar esta lista? Contribua no campo “Comentários”, abaixo.]

Essa distância entre a percepção de importância da estratégia e sua utilização efetiva como método de gestão gera implicações para a gestão do conhecimento:

  • Dificuldade de entendimento sobre como o conhecimento contribui para o negócio e para a execução da estratégia organizacional;
  • Falta de clareza sobre como definir uma estratégia específica para a gestão do conhecimento e definir responsabilidades pela implementação dessa estratégia.

São dificuldades comuns e sua superação não chega a ser complexa, porém é de execução trabalhosa. Como todo trabalho de definição estratégica, a elaboração de uma estratégia de gestão do conhecimento é um processo de construção. A estratégia pode ser elaborada de forma linear, montando blocos até formar um todo; ou ser formada como resultado de um processo emergente (há farta literatura sobre esses métodos). E sempre deve ser considerada uma referência – não uma estrutura rígida, mas sim um norteador dinâmico e flexível, que deve deixar espaço para a flexibilidade, para ajustes táticos e para a criatividade.

Isso vale tanto para o negócio como um todo quanto para a gestão do conhecimento, que para ser efetiva deve contar com direcionadores estratégicos específicos. Isso vai exigir:

  • Estabelecer diálogos estratégicos com lideranças de várias áreas da organização, visando aprofundar a compreensão da estratégia organizacional e suas implicações; e a partir daí traduzi-la em desafios de conhecimento;
  • Conduzir novos diálogos estratégicos, a partir dos desafios de conhecimento identificados, visando elaborar diretrizes específicas para a estratégia de GC;
  • Promover novas rodadas de diálogo para desenhar os desdobramentos dessas diretrizes em iniciativas e processos específicos de GC.

Como todo trabalho verdadeiramente estratégico, não tem atalho. O desenvolvimento de uma estratégia de gestão do conhecimento exige uma abordagem sistêmica, visão de longo prazo e participação de pessoas com diversidade de pontos de vista, além de poder ou influência nas decisões da organização. Simples? Não. Necessário? Sim. Vale o esforço? Não tenha a menor dúvida! Sem sarcasmo.

*Beto do Valle [Roberto do Valle] é sócio diretor da Terraforum Consultores Associados, Atua em gestão do conhecimento, educação corporativa, estratégia e inovação. Tem sólida experiência como executivo nas áreas de marketing, planejamento estratégico e desenvolvimento humano. Twitter: @BetoDoValleTF

[Texto publicado originalmente no Blog TerraForum: http://www.terraforum.com.br/blog, gentilmente cedido para reprodução.

O jabuti, aquele animal de pernas curtas como a mentira, como todo mundo sabe não sobe em árvores. Diz o ditado popular que se ele está no alto da árvore é porque alguém o colocou lá. Alguém que tem poder para isso. Ainda segundo a sabedoria popular, é melhor não mexer com ele, pois se está lá é para ficar, pois representa algum interesse poderoso.

Muita gente me olha com desconfiança quando me apresento como um pesquisador da Dinâmica do Conhecimento Organizacional. Os jabutis então ficam com o casco arrepiado. Elem acreditam que o único conhecimento que realmente conta é ter conhecimento com quem manda. Muito possivelmente em muitas empresas e órgãos públicos tais pessoas estão cobertas de razão.

Quando tento me aprofundar no assunto e digo que a Era da Informação já passou e que estamos na Era da Inteligência, logo me perguntam se inteligência é sinônimo de esperteza.

Se eu disser que Gestão do Conhecimento é precursora da Inovação e da Competitividade, aí, sim, consigo uma porção de jabutis aliados. Um monte deles focados em inovar e melhorar a competitividade logo se interessam em saber que bala mágica é esta tal de Gestão do Conhecimento. Mas logo vem a decepção, quando descobrem que se trata de algo muito trabalhoso, que exige grande base conceitual, diagnósticos precisos e ações de longo prazo.

Quando descobrem que uma verdadeira Gestão do Conhecimento implicaria em reconhecer o valor dos conhecedores, gente a qual eles, os jabutis, tem verdadeiro horror, quase entram em pânico. Tudo menos dar valor aos conhecedores. Os jabutis adoram comprar sistemas que produzam conhecimento automaticamente, não importa o quanto você fale, esbraveja e esperneie que “automaticamente” é palavra armadilha quando se fala em conhecimento.

Mas logo os jabutis vão ganhando intimidade, ganham coragem, perdem a timidez e perguntam: não tem uma ferramenta tecnológica que eu possa comprar e dizer para todo mundo que eu estou fazendo Gestão do Conhecimento?

Outra pergunta freqüente é: quanto precisamos – precisamos aqui, muitas vezes, significa “podemos” – gastar para implantar um grande projeto de Gestão do Conhecimento. Mais uma vez, vem a decepção ao saber que é possível iniciar os trabalhos com ações simples e localizadas de reflexão crítica sobre os processos de conhecimento da empresa, sem gastar muito, e que não se trata de um projeto, mas de um processo, que precisa ser continuamente feito e realimentado.

Definitivamente a República dos Jabutis não é um território muito adequado para se falar seriamente em inovação e competitividade e entendê-las a fundo, pregando o cuidado com o Conhecimento organizacional. Muito mais confortável seria seguir o exemplo dos jabutis e bater no peito se apregoando como defensor da inovação e competitividade, como muitos o fazem, mesmo no fundo sabendo que de tal proposição, evidentemente, não se demonstram os fundamentos.

 

Maysa Roriz/ Heitor Roriz Filho

Sabe-se que a Gestão do Conhecimento (GC) ganha cada vez mais importância nos dias atuais, pois ajuda as empresas a garantir sua sobrevivência no mercado ao aprender a converter o conhecimento em novas oportunidades de produtos ou serviços, ou seja, a GC pode proporcionar a inovação contínua nas organizações.

Empresas que, para atingir seus objetivos de negócios, desenvolvem suas atividades com uma abordagem baseada em projetos, são intensivas em conhecimento, pois possuem características como a interação constante entre integrantes da equipe e aprendizado de novas tecnologias e conceitos. Uma maneira de apoiar o trabalho de adaptação das práticas já conhecidas de gerenciamento de projetos, e assim, aumentar seus benefícios, seria a utilização de metodologias ágeis ou gerenciamento ágil de projetos. O gerenciamento ágil de projetos consiste em uma abordagem fundamentada em um conjunto de princípios, cujo objetivo é ajudar a alcançar o sucesso em projetos de forma mais simples, flexível e iterativa, de forma a obter melhores resultados em desempenho, maiores níveis de inovação e agregação de valor ao cliente.

Dentre as metodologias de gerenciamento ágil de projetos atualmente no mercado, a mais difundida é o framework Scrum. A mudança de paradigma trazida pelo Scrum inicia uma mudança cultural nas organizações que correspondem às mudanças necessárias para iniciativas de GC. As principais características relacionadas ao framework são: comunicação face-a-face, tomadas de decisões colaborativas, integração de papeis, times multidisciplinares, canal de comunicação direto com clientes e times autônomos. Tais características são adquiridas no decorrer do tempo, durante a implantação do Scrum, a qual consiste na implantação de valores e desenvolvimento da maturidade da equipe de projeto.

A metáfora do nome Scrum baseia-se no artigo The New New Product Development Game, de Nonaka e Takeuchi. Este artigo foi publicado na revista Harvard Business Review, em 1986, onde os autores sugerem uma nova abordagem para o desenvolvimento de produtos, a abordagem rúgbi, fazendo uma analogia com a jogada scrum deste jogo (que demanda forte trabalho em equipe e rápida tomada de decisão). De acordo com esta abordagem, o produto é desenvolvido através da interação constante entre uma equipe multidisciplinar, que trabalha conjuntamente do início ao fim do projeto e está comprometida com a experimentação constante.

Percebe-se, portanto, que o framework de gerenciamento de projetos Scrum possui a mesma origem da GC, visto que surgiu a partir de um artigo publicado pelos pais da GC: Nonaka e Takeuchi. Curiosamente, apesar de terem a mesma origem, não existem estudos que abordam e relacionam completamente estas duas abordagens: GC e framework Scrum. Segundo Jeff Sutherland, em seu artigo Takeuchi and Nonaka: The Roots of Scrum, os pais da GC acreditam que o Scrum significa o comprometimento de um time multidisciplinar em uma dinâmica interação de ideias, que gera o “ba”, o ambiente necessário para gerar o conhecimento em novos produtos. Ainda, segundo o autor, Takeuchi leciona Scrum em suas classes abordando estudos de caso e mostrando que o sucesso em projetos sempre está relacionado com times multidisciplinares trabalhando intensamente juntos para gerar melhoria contínua.

Pode-se perceber, portanto, que o Scrum pode ser utilizado como uma ferramenta de apoio ao processo e iniciativas de GC nas organizações, pois, em teoria, projetos que utilizam este framework podem proporcionar espaços adequados para a criação/conversão do conhecimento. Num futuro breve, as empresas orientadas a projetos que buscam inovação em seus produtos e serviços, deverão pelo menos procurar conhecer o Scrum e muito provavelmente incluirão este framework na sua forma de trabalho, buscando sempre se sobressair num mercado cada vez mais competitivo e dinâmico.

 

 

1 de novembro de 2011

ADOLESCENTES VERSUS OBSOLECENTES?

Nós nos esforçamos, por tantos anos, para manter nosso foco, que agora estamos estranhando o modo multitarefa como nossos jovens vivem e, já começamos a falar em mal funcionamento das novas gerações.

Durante um tempo, as pessoas mais velhas se referiram à informática (lembram desse termo?) como algo importante que merecia ser aprendido. Hoje, apontam para os jovens e dizem que há algo errado numa geração sem foco, dominada pela tecnologia digital, com um enorme déficit de atenção e pouca profundidade temática. Nossos filhos não estão se encaixando em nossas projeções e por isso estamos pensando que pode haver algo de errado com eles.

Creio que estamos chegando a um ponto importante da história do uso da tecnologia, no qual os jovens conectados passam a disputar mercado com seus preceptores e por isso passam a ser repelidos com uma série de rótulos. Por que o abismo tecnorrelacional entre as gerações vem se acentuando? Porque, para muitos de nós com mais de quarenta anos, a intensidade e variedade dos objetos de linguagem já atingem uma velocidade quase insuportável.

Quando o pesquisador Douglas Engelbart apresentou, nos anos 70, a alternância de modos e nos tirou das telas verdes para uma interface colorida repleta de ícones e com janelas simultâneas, a roda da história avançou mais um pouco e, somente hoje, podemos sentir quanto o mundo mudou. Os jovens já estão completamente adaptados à vertigem da multitarefa, mas a velha guarda do processador de texto ainda insiste que foco e concentração são os únicos modos válidos de aprender e trabalhar. O que para nós é uma superexposição de estímulos, para os sentidos dos jovens é apenas o meio em que nasceram, cresceram e aprenderam a viver.

Entretanto hoje não compreendemos como podem trafegar de um assunto ao outro antes mesmo de concluir o entendimento do anterior. Não os acompanhamos nos mergulhos de hipertexto e ainda somos teimosos, sempre dando mais valor às nossas narrativas lineares. No fundo, ainda pensamos que para aprender uma coisa é preciso aprender outra primeiro, e que há uma ordem certa para isto. Em nossa percepção não estão aprendendo nada porque não mergulham para valer nos conteúdos e são superficiais porque trocam de assunto sem um motivo válido para nossos critérios.

Pensamos que eles mudam todo o tempo porque se viciaram nisso, e no fundo culpamos o dispositivo que originou toda essa confusão, o bisavô da navegação de conteúdos: o controle remoto da televisão! As gerações anteriores fizeram um esforço enorme para se adaptar à dura realidade da era industrial. Tivemos que abandonar nosso fluxo espontâneo de comer, dormir e amar a qualquer hora, para entrarmos no sincronismo do apito de fábrica e do relógio de ponto. Mas nossos corações e mentes teimavam em derivar em desejos e interesses momentâneos, então aprendemos a nos esforçar o tempo todo para manter a atenção em apenas um assunto de cada vez e vivemos tentando manter o “foco”.

Acontece que a alternância de assuntos está saltando para fora do computador e invadindo nossas vidas. A televisão ficou mais rápida, as revistas repletas de notícias, os jornais com textos cada vez menores e as ruas repletas de anúncios e sinalizações digitais. Pelo menos duas gerações cresceram nesse meio. Jovens que mantêm sete, dez janelas abertas e ainda falam ao telefone, enquanto comem um lanche, tudo isso diante da televisão. Nossos jovens têm acesso imediato a muitas fontes de conhecimento, mesmo com seus professores condenando o Google e a Wikipedia, mas ainda esperamos que eles usem a memória, compreendam ou decorem informações fundamentais. E que saibam caligrafia!

E se o modo como nós aprendemos tudo até agora na escola, memorizando a tabela periódica dos elementos, equações matemáticas e rios do amazonas, estivesse mesmo muito errado? Fomos diplomados como ótimos alunos e alguém aí se lembra de alguma dessas coisas? Nossos professores eram bancos de memória ambulantes, repletos de citações e exemplos. Poucos mestres tinham a capacidade de se envolver, se relacionar com os alunos e nos levar a uma experiência única de sabedoria. A maioria dos professores era entregador de verbetes, fiscal de apostila ou zelador de livro didático.

Cultivamos um saber enciclopédico durante séculos e talvez esta seja a primeira geração a se livrar deste fardo, por isso muitos os chamam de ignorantes. Nunca imaginamos que eles teriam um tipo de sabedoria e conhecimento tão diferente do nosso que nos pareceria um certo tipo de ignorância! Arrisco dizer que talvez os jovens não aprofundem seus conhecimentos porque estão buscando em primeiro lugar os índices. Não estão aprendendo conteúdos, estão capturando mapas de localização do conhecimento.

Na lógica dessas gerações é possível organizar uma lista de assuntos sobre um tema que ainda não conhecem. Para nós, mais velhos, isto é impensável, pois nossos sumários sempre apontam para os textos que lemos, as imagens que vimos e os filmes que assistimos. Nós dependíamos da memória, eles dependem das buscas. Nós resumíamos textos, eles condensam listas, buscam por categorias, tipos, formatos, datas, assuntos, temas, palavras-chave etags. Não aceitamos nem o modo como fazem a gestão de suas amizades e os acusamos de manterem fazendas de falsos amigos representados por carinhas de Facebook, que só dizem “husahuauahuhuasuahuhuhsuhaua”.

Acho que estamos perdendo o bonde da história, ou melhor, o trem bala. Não conseguimos nos comunicar com nossos filhos, estamos cada vez mais preocupados com nossos jovens funcionários da geração Y, e cada vez que alguém metralha uma escola, tenta fabricar uma bomba em casa ou sai marchando em multidão pelas ruas, culpamos a Internet. Se não tornarmos mais flexíveis nossas premissas e frequentarmos um pouco mais os espaços multitarefa por onde os jovens fluem, as novas pontes entre nós nunca irão aparecer.

Penso que cada um tem exatamente aquilo que precisa para viver em seu tempo, a seu modo. O que precisamos é não esquecer que, mesmo vivendo em fluxos distintos, habitamos os mesmos espaços, estamos ligados uns aos outros e precisamos cultivar o encontro humano amoroso entre nós constantemente, inclusive dentro das possibilidades não presenciais, usando o mural do Facebook, por exemplo. Considerando que o mundo está cada vez mais multicultural, multidiversificado e multitarefa, mesmo sendo mais velhos é bom encontrarmos nosso lugar, já que, com o aumento da longevidade, ainda vamos viver um bom tempo por aqui.

Meus amigos, ou melhor, meus velhos amigos, quando a maturidade bloqueia a transformação, surge a velhice. Um velho que transforma é sempre mais jovem que um adolescente que conserva. Velhice não precisa ser obsolescência, pode ser renovação. Não precisamos funcionar como os jovens, mas precisamos saber que o nosso modo não é mais o único.

* Luiz Algarra é fundador da Papagallis e colaborador voluntário da SBGC – Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (www.sbgc.org.br). Especialista nas áreas de inovação, educação, design de ambientes (BA) e inteligência colaborativa. E-mail: linksbgc@linkportal.com.br

 

13 de abril de 2011

Storytelling e Inovação

A linguagem não é só um dos elementos da cultura, mas também um dos co-criadores da nossa cultura. Não há linguagem sem interação e sem um horizonte de historicidade uma vez que as palavra constituem o meio no qual se produzem lentas acumulações quantitativas de mudanças numa sociedade.

A Economia da Atenção exige cada vez mais que as empresas sejam inovadoras com suas marcas e capazes de comunicar-se com razão e emoção ao mesmo tempo. O objetivo cada vez maior é motivar e envolver pessoas de um determinado target através de uma linguagem emocional e com historicidade que tenha credibilidade.

As marcas mais inovadoras contam sua história constantemente, atualizam suas formas de se comunicar, planejam sua linguagem de acordo com determinada audiência e sustentam através de uma criação que a perpetue no tempo. Contar histórias é uma das formas mais inovadoras que as empresas acharam para  transmitir conhecimento, trocar experiências e provocar a imaginação dos consumidores.

Uma marca é consumida, não apenas pelo seu valor de uso, e sim pelos signos e sentidos individuais uma vez que as palavras modificam os sentidos, que nascem dessa interação verbal por meio de suas histórias e estórias.

E se cada vez mais as pessoas podem se comunicar também cada vez menos estão dispostas a escutar. Os signos da comunicação nos guiam para a problemática do entendimento humano sobre os fenômenos do mundo digital, a complexidade de suas múltiplas manifestações e respectivas implicações para a vida social. Numa era digital onde o conhecimento é cada vez mais interativo, dinâmico e acessível, apresentam-se novas sensibilidades e possibilidades de relações sociais inovadoras com as marcas.

Contar histórias, uma das técnicas mais antigas para transmitir conhecimento, tem sido utilizada a milhares de anos pelas famílias, comunidades e toda sociedade. Com o amadurecimento da sociedade do conhecimento, a Storytelling é utilizada nas organizações para transformar fatos e suas marcas mais atrativos e fáceis de serem absorvidos.

A Storytelling utiliza os atributos de uma estrutura de narração tradicional, como, definição de tempo, lugar, mote, tipo de narrador, introdução, desenvolvimento e final conclusivo.

Toda palavra pressupõe avaliação social e ao se movimentar através dos indivíduos, recebe novas significações. É possível assim  preservar história da empresa, criar  uma cultura organizacional, reforçar valores,  gerar novas idéias, valorizar o consumidor que pode tornar-se um multiplicador das histórias dessas marcas.

Esses movimentos contínuos e do cotidiano se entrelaçam e transmutam-se, como um organismo vivo. A materialidade e historicidade presentes nas marcas fazem parte de uma relação entre indivíduos, mas o significado e os significantes se alteram de acordo com a parte exterior da percepção de cada um.

O processo de Gestão de Inovação cada vez mais orgânico e customizado tem na Storytelling, uma ferramenta poderosa de comunicação que auxilia as marcas a entenderem qual é a sua história e a forma mais inovadora de contá-la.

 

Martha Terenzzo, é profissional de Inovação e Marketing, implementou áreas de Inovação, Marketing de alta performance em empresas como Sadia, Parmalat, Cargill, Ajinomoto, etc. Estabeleceu processos e metodologias específicas com visão na Gestão de Negócios e Inovação.  Consultora de empresas de grande e médio porte para Inovação e Marketing, é Sócio-Diretora da Inova 360º. Ministra aulas e treinamentos na área de Inovação e Comportamento do Consumidor em Faculdades como Fia/Provar, ESPM, Madia School, IBMODA, in company.  Formada em Marketing pela ESPM e tem curso de liderança executiva na Fundação Dom Cabral, atualmente faz Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo. É Vice Presidente de  Informações do Retail Marketing Association-POPAI.

Martha.terenzzo@uol.com.br
twitter@marthaterenzzo9

As Micros, Pequenas e Médias Empresas desempenham um papel fundamental para o desenvolvimento do país, reconhecido em foro estratégico pela SBGC. No KM Brasil 2010, SEBRAE e SBGC uniram forças, desta vez para organizar um painel específico para MPMEs,  o painel especial: Gestão do Conhecimento e Inovação na Cadeia Produtiva do Petróleo, Gás e Energia.

Participaram do Painel Pedro Penido da assessoria da Presidência da Petrobrás, Camila Pires Gerente de Gestão do Conhecimento da MPX Energia, Eliane Lobato do SEBRAE, Fernando Jefferson Diretor de MPMEs da SBGC, Marcelo Lopes Diretor Superintendente do SEBRAE/RS, a moderação do painel ficou por conta Magaly Tânia Albuquerque do SEBRAE e apresentação de 3 casos de GC em micros e pequenas empresas do  segmento energia: Ana Maria Mendonça da Tecnogás, André Souza da Ativa Tecnologia e Luciano Weber da Device.

Pedro Penido assessor da Presidência da Petrobras abriu o Painel apresentando o Programa Rede de Melhoria da Gestão para o Desenvolvimento  da Cadeia Nacional de Fornecedores de Bens e Serviços da Petrobrás e destacando a  importância da Gestão do Conhecimento e da Inovação para as empresas que fazem parte da cadeia produtiva.

Segundo Penido, existe uma necessidade de atender as tendências de competitividade das empresas que compõe a cadeia produtiva de gás, petróleo e energia, existe ainda a preocupação estrangeiros no mercado brasileiro. Estes novos entrantes chegam com capacidade tecnológica, poder de investimento e contratam profissionais qualificados aqui no Brasil o que pode ser um problema se as empresas não conseguirem competir. Neste caso a competitividade depende de 4 variáveis: Qualificação de Mão de Obra, Estrangulamentos Tecnológicos e Estruturais, Financiabilidade e Melhoria da Gestão.

Penido ressaltou a posição privilegiada do Brasil destacando-se na Geopolítica do petróleo com, grandes reservas, alta tecnologia em petróleo, base industrial diversificada, grande mercado consumidor, estabilidade institucional e jurídica. Destacou o alto potencial e as oportunidades  do pré sal e  o plano de negócio 2010 – 2014 com  investimento de US$224 bilhões.

Em relação a sustentabilidade econômica, social e ambiental o programa visa:

  • Aproveitamento socioinclusivo de demandas derivadas da implantação de grandes projetos;
  • Redução de desigualdades regionais e sociais e geração de empregos
  • Gerenciamento das externalidades ambientais e sociais;
  • Sinergia de entes governamentais  e da sociedade para governança dos territórios nos níveis federal, estadual / regional, municipal;
  • Desenvolvimento e difusão de inovações.

Prof. Dr. Heitor José Pereira ex-presidente da SBGC e atual assessor de projetos especiais comentou que, mapear o conhecimento das entidades que compõem a rede e mapear a competências das pessoas chave, mapear quem sabe o que na cadeia produtiva do petróleo, gás e energia, uma premissa  para compor a visão para conhecimento é a importância de criar uma metodologia de Gestão do Conhecimento para que cada projeto já traga práticas de compartilhamento das novas experiências em todo a rede.

A segunda palestra foi a da Gerente de Gestão do Conhecimento da MPX Energia, Camila Pires.

Camila iniciou o caso com a abordagem que a MPX criou para iniciar a implementação da Gestão do Conhecimento:

  • Entendimento do contexto dos negócios e percepção da cultura organizacional;
  • Mapeamento das pessoas chave dos formadores de opinião;
  • Abordagem informal dos gestores para diagnósticos;
  • Compreensão do grau de maturidade da empresa para a Gestão do Conhecimento;
  • Visão de longo prazo e estratégia de curto prazo;
  • Identificação de quick wins (A ideia é que grandes projetos, que envolvem muita gente e muitas áreas, precisam de vitórias rápidas para dar a sensação de que a coisa está andando. Serve também para motivar a equipe e para passar sinais para quem está de fora);
  • Defesa da estratégia para a alta administração
  • Planejamento, foco, ouvidos abertos e paixão.

Enfatizou que  Eike Batista presidente da empresa tem uma visão 360º um olhar para todos os capitais do conhecimento tangíveis e intangíveis, a baixo figura retirada da apresentação de Camila, que demonstra esta visão.

As estratégias de GC de curto prazo definidas pela MPX, objetivam a implantação de: 1) um portal do conhecimento; 2) realização de campanha propícia à colaboração; 3) criação de projeto de memória para garantir o registro dos projetos e fatos marcantes da empresa.

E ainda a implantação de ambientes de colaboração para cada projeto com agendas compartilhadas, blogs e outras ferramentas de comunicação colaborativas, um banco de lições aprendidas e monitoração do andamento dos negócios.

Camila ressaltou alguns fatores críticos de sucesso para a implantação do portal. Dentre eles destacam a criação do comitê multiplicadores de informação, estratégia de gestão de mudança, palestras sobre Gestão do Conhecimento por toda a empresa, campanha de comunicação de impacto e implantação ágil. Essa fase, do diagnóstico ao lançamento, demandou 6 meses. As principais etapas do projeto de memória são mapeamento e organização do conteúdo, produção e edição dos conteúdos, disponibilização dos conteúdos e divulgação.

Este caso demonstrou que a Gestão do Conhecimento não necessita ser complexa. Com idéias e estratégias simples e de baixo custo, consegue-se atingir os resultados esperados promovendo um ambiente colaborativo de acordo com as necessidades de cada organização.

O terceiro palestrante da tarde foi Fernando Jefferson Diretor do Comitê de Micros, Pequenas e Médias Empresas da SBGC, onde discorreu sobre a importância da Gestão do Conhecimento e da Inovação e a importância da capacitação e da melhoria da gestão das  MPMEs para a cadeia produtiva do petróleo, gás e Energia.

Jefferson lembrou de uma noticia, do caderno de economia do jornal O Globo que boa parte  do investimento citado por Pedro Penido da Petrobrás de R$224 bilhões de dólares, será aplicado na melhoria das MPMEs que contemplam os 4 níveis da cadeia produtiva. Abaixo a figura  representativa da cadeia produtiva  retirada da apresentação de Jefferson.

Para atuar neste mercado competitivo as empresas precisam melhorar a gestão do processo de negócio:

  • Técnico
  • Econômico
  • Legal
  • SMS – Meio Ambiente, Saúde e Segurança
  • Gerencial

E destaca a Rede Melhoria de Gestão Cadeia Nacional de Fornecedores de Bens e Serviços, criada pela Petrobrás com o auxilio do BNDES, FNQ, MBC, SEBRAE e outras entidades dentre elas a SBGC, para apoiar a indústria nacional em especial MPMEs.

Fernando Jefferson apontou a importância do conhecimento para a inovação na MPMEs, e da preocupação em preservar o conhecimento nas empresas da cadeia produtiva, pois este capital intelectual está na cabeça das pessoas e ainda existe resistência para registrar informações em sistemas compartilhados e uma cultura empresarial não propensa a comunicação e aos registros de informações.

E entende que uma boa solução, é uma cultura orientada para o conhecimento e o uso de técnicas de gestão de projetos, para contribuir com ganhos expressivos de competitividade nas MPMEs.

Eliane Lobado do SEBRAE iniciou a segunda parte do painel, explicitando o convenio entre SEBRAE e Petrobrás, o Programa da Cadeia Produtiva do Petróleo, Gás e Energia, o objetivo do convenio é  “Promover a Inserção competitiva e sustentável de Micro e Pequenas Empresas, fornecedoras efetivas e potenciais, na cadeia produtiva do petróleo, gás e energia”.

Os projetos do convenio trabalham para o desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local (APL) de Petróleo e Gás (P&G), dando ênfase no encadeamento produtivo, com o propósito de criar um ambiente favorável para a sustentabilidade do processo de inserção de MPE na cadeia produtiva mobilizando atores locais.

Abaixo figura retirada da apresentação de Eliane, onde são listados alguns dos requisitos para empresas se cadastrarem para fornecerem bens e serviços para Petrobrás.

No primeiro convênio (2005 – 2007) beneficiou 6.032 empresas, 2005 com 8 rodadas de negócios, 2006  com 10 rodadas de negócios e 2007 com 15 rodadas de negocios. Neste segundo convenio estima aplicação de R$32 milhões  em 15 estados, priorizando temas tais como: Diagnóstico e mapeamento de oportunidades, formação e consolidação das Redes Petro, capacitação e qualificação, inovação e desenvolvimento tecnológico. Já o foco estratégico: inteligência competitiva; cultura de cooperação; desenvolvimento de fornecedores e inovação; acesso ao mercado.

Bem, os resultados somam 19 projetos aprovados distribuídos em 14 unidades federais, entre 2008 a 2010 e  realizou-se 32 rodadas de negócio com movimentação de R$1,2 bilhão.

O Diretor Superintendente do SEBRAE RS Marcelo Lopes prestigiou o painel com sua presença destacando  importância do SEBRAE para a capacitação das micros e pequenas empresas (MPEs) gaúchas que compõem a cadeia produtiva do petróleo, gás e energia.

O painel chegou ao fim  com a apresentação de três casos de MPEs integrantes das Redes Petro: Tecnogás apresentado por sua diretora Ana Maria Mendonça, André Souza diretor da  Ativa Tecnologia e Luciano Weber diretor da Device.

Em resumo o painel demonstrou para todos que a Gestão do Conhecimento pode e deve ser aplicada em MPMEs, não há necessidade de ser complexa, com estratégias simples e bem objetivas de Gestão do Conhecimento, a colaboração torna-se uma ferramenta poderosa para a gestão e a criação do conhecimento, o que gera inovação no mercado e aumento da competitividade.

E em especifico para as MPEs que são fornecedores ou almejam participar  da  cadeia produtiva de petróleo, gás e energia, o painel demonstrou que  existem grandes oportunidades já a partir de 2011, não apenas para novos negócios ou para sua continuidade mas também capacitação, maximização do capital intelectual, competitividade e seu crescimento.

*Fernando Fukunaga é associado da SBGC , atualmente é assessor da Diretoria Executiva, de forma voluntária é integrante do  Comitê Nacional de Marketing, do Comitê Nacional de Educação, do Comitê de MPMEs, é Diretor de Marketing da regional São Paulo da SBGC UFs e é Líder do Programa SBGC Jovem

Você sabe como a sua empresa pode se beneficiar com a Gestão do Conhecimento?

Já pensou na velocidade que a informação flui na sua empresa? E qual a rapidez com que as pessoas podem se comunicar umas com as outras?

Toda empresa deseja ter uma comunicação alinhada com os seus clientes, funcionários e ainda conquistar o mercado pela sua credibilidade; Esta preocupação se dá pelo motivo do conhecimento e a informação terem se tornado fundamental dentro das empresas, já que isso pode fazer toda a diferença no resultado final, que leva ao sucesso ou ao fracasso de uma organização.

A Gestão do Conhecimento vem quebrando certos paradigmas estabelecidos por culturas dentro e fora das empresas como o pensamento de guardar o conhecimento para si e não compartilhar com os outros; Este tipo de pensamento não tem mais funcionalidade, já que a informação está muito rápida e instantânea, portanto, se você não dividir esta informação com alguém você corre o risco deste conhecimento se perder em um curto período de tempo.

No Programa desta semana Paola Tucunduva trará o tema sobre Gestão do Conhecimento, para falar sobre este assunto, os convidados internacionais deste programa serão Verna Allee, Co-fundadora e CEO da Value Networks e Todd Revolt – Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Atlassian.

Para saber mais como sobre a importância da Gestão do Conhecimento na sua organização, assista ao Programa Alma do Negócio desta 5ª-feira, dia 20.1.2011, às 16hs, no canal da web www.justtv.com.br. Não perca! Assista, participe e amplie a sua visão!

Verna Allee é co-fundadora e CEO da Value Networks e membro da World Business Academy; Autora de dois livros e mais de 50 artigos da indústria e trabalhos em redes de valor e gestão do conhecimento.
Allee é mestre em Liderança Organizacional e Consciência Humana de JFK University e bacharelado em Ciências Sociais e de Negócios Internacionais da Universidade da Califórnia, Berkeley. Ela é professora visitante em várias universidades, mais notavelmente na Universidade de Oxford, da Escola de Negócios Marshall da Universidade do Sul da Califórnia (Los Angeles), e sueco Hanken School of Business (Helsínquia).

Todd Revolt: Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Atlassian. Tem sido um membro de várias empresas que a colaboração prática e criação de conteúdo por meio do compartilhamento do conhecimento. Atualmente Todd administra mais de 400 parceiros em todo o mundo.

O Programa Alma do Negócio é um programa de entrevistas que vai ao ar pelo canal www.justtv.com.br, e fala de forma clara e objetiva o que está acontecendo no mundo dos negócios. Idealizado e apresentado por Paola Tucunduva tem o objetivo de inspirar empreendedores através de entrevistas com empresários e consultores de sucesso.

Todos os programas gravados estão disponíveis no blog http://www.almadonegocio.tv , além da agenda com as próximas entrevistas, textos sobre temas relevantes para os negócios e muito mais. Envie suas dúvidas pelo blog, teremos uma satisfação enorme em respondê-las.

Neste segundo encontro, convido você a compreender em que contexto a gestão do conhecimento está inserida, a partir da discussão do conceito de inteligência empresarial. Se você está navegando aqui pelo site da SBGC, provavelmente já vem percebendo no ambiente sinais de que estamos passando por uma revolução. Sim, uma revolução tão importante quanto a Revolução Industrial, que estudamos nos livros de história. Estamos ingressando na Era do Conhecimento (ou o nome que os historiadores resolverem inventar quando estiverem estudando nossa geração). O fato é que o principal fator de produção (que um dia já foi a terra) atualmente é o conhecimento. Se ainda tem dúvidas, pense em quanto vale o Google.

Bem, para sobreviverem nesse novo mercado que se configura, as empresas (e os profissionais) terão de se adaptar, certo? O Centro de Referência em Inteligência Empresarial (Crie) defende que essa adaptação passa pela habilidade de as organizações lidarem de forma sinérgica com três conceitos: Conhecimento, Inovação e Empreendedorismo. Eu concordo que esse tripé é a base para o sucesso das organizações nessa nova era. E você?

Vamos pensar um pouquinho juntos. Ao praticarem a Gestão do Conhecimento, as empresas criam uma sistemática para coleta, armazenamento e compartilhamento do conhecimento. Isso é fantástico, mas se esse conhecimento for (re)utilizado, gerando valor para as organizações. Já a inovação, pressupõe quebra de paradigmas. Ao fazer a mesma coisa de um jeito diferente (inovação incremental) ou criar um processo ou produto inédito (inovação radical), a empresa garante vantagens competitivas, ou seja, larga na frente. E a capacidade de empreender é o que alavanca a companhia.

Você deve estar pensando: “Ah, então se a empresa conseguir mapear o que sabe, monitorar o ambiente para saber o que os outros sabem, articular parcerias para melhorar o que sabe, buscar aprender o que não sabe e, ao saber tudo isso, pensar no que ninguém foi capaz de pensar antes e ainda fazer disso algo que nunca alguém ousou fazer antes, ela provavelmente obterá sucesso na nova economia!” Em partes é isso mesmo. Faltou um ingrediente fundamental que dá, digamos, a liga dessa mistura: a cultura e o ambiente favoráveis para isso tudo girar. Ou você acha que isso acontece de forma simples como um passe de mágica? Mas isso é papo para outra conversa. Voltamos a esse assunto em agosto. Se quiser trocar idéia até lá, me envie um e-mail: camilapires.sa@gmail.com.     

Camila Pires Associada SBGC e Integrante do Programa SBGC Jovem,  Jornalista, formada pela PUC-Rio), especialista em gestão do conhecimento e inteligência empresarial pela Coppe/UFRJ, com MBA em gestão empresarial pela FGV. Atualmente, trabalha como Gerente de Gestão do Conhecimento na MPX Energia